domingo, 20 de novembro de 2011

cavaleiro Fantasma(parte 1).

           O silencio era mortal, mas no meio da noite foi quebrado, todos sabiam do que se tratava. Era um som estrondoso, vários na verdade, depois foram gritos desesperados, gemidos e sons de sofrimento intenso, depois um tiro foi dado, algum pistoleiro estava alvejando alguém, naquele velho oeste. Todos sabiam também que poderia ser o cavaleiro fantasma, um homem que diziam ter morrido trés vezes e que sempre voltava para vingar sua ultima morte. Depois que o mito começa, fica difícil separar o real do ilusório.
           Quando a noite estava no seu ápice, a lua brilhava intensa no céu, quando o silencio era perfeito, ouviam-se cascos de cavalo batendo contra o chão de terra, já sabiam que era o cavaleiro fantasma, ele trazia dois revolveres nos coldres na cintura, todas as armas carregadas. Trazia no rosto sinais de luta e experiencia. Era o homem que matara o xerife na frente de sua tropa, e ninguém se intrometeu, pois não queriam ter uma surpresa na noite seguinte.
            Diziam que seu cavalo era negro, com olhos vermelhos, do demônio, e dentes vermelhos, de sangue, diziam que ele se alimentava dos homens que o cavaleiro matava.
             Ele nunca aparecia no sol, era sempre à noite. E quando aparecia, usava um capuz negro, algo como um sobretudo, de onde tirava os revolveres do coldre, tão rápido que parecia magica. Diziam que quem o visse, seria a ultima coisa que veria na vida, e que se existisse vida após a morte, o cavaleiro iria buscar o infeliz do outro lado, pois o cavaleiro era um fantasma do diabo, havia feito trato com satanás, diziam as pessoas. Ele também foi apelidado de o homem de preto, pois só usava couro, mas tudo na cor preta.
             Naquela noite, o vingador das trevas, outro de seu apelido. Ele chegou em seu cavalo imenso, forte, negro e demoníaco. Ele desceu do cavalo, ninguém que o visse poderia ver seu rosto, pois o capuz e a escuridão o encobriam por completo, era como não ter face. Aos poucos ele se afastou do cavalo, puxou os dois revolveres do coldre, verificou se tinham balas no tambor, tinham, e eram banhadas a ouro. Ele dizia que suas vitimas tinham que conhecer a morte pela luxuria, pela cobiça. Ele andava de lado, naquela noite quente, mas escura demais, mesmo com a lua brilhando a todo vapor, talvez a presença dele trouxesse escuridão.
              Um chute na porta, outro chute, e mais um, e ela se rompeu, caiu com estrondo terrível no chão. O cavaleiro do diabo andou pela pequena casa de madeira do velho oeste. Ele procurava um homem, coitado. Aquele era o homem que desgraçou a vida do cavaleiro, embora só o cavaleiro soubesse disso, que um dia teve uma família, uma mulher, que fora estuprada na sua frente, e um filho que foi arrancada a cabeça, perante os olhos do demônio fantasma. Depois de tomar um tiro na cabeça, ele agonizou no chão de sua humilde casa, num local muito distante de onde estava, um local conhecido como terra do algodão, onde reinava a paz e a beleza. Ele sobreviveu, voltou para se vingar, já acabou com quatro dos homens que o destruíram, só faltava o ultimo, aquele que se tornou o segundo homem, o estuprador de sua bela Sophia, adorável, bela e morta.
               Enquanto caminhava à procura do seu ultimo algoz. Encontrou uma garotinha, não mais que seus dezesseis anos. Quanta maldade, ela parecia sua Sophia, só que mais nova. Ela estava assustada, acordou às pressas, por causa dos sons na porta. O fantasma admirou a garota, como era linda. Perguntou quem era seu pai, ela disse o nome do algoz do fantasma. O cavaleiro fez algo que nunca imaginou fazer, uma vingança repleta de passionalidade, de ira, de furor, dor, angustia e lembranças de sua Sophia. Por coincidência, a garota se chamava Sophie, então o cavaleiro nem precisou mudar muito o nome, na hora de penetrar no anus da criança, na hora de acabar com sua virgindade e na hora de ejacular. Depois disso, para vingar seu filho, o cavaleiro ,que carregava um facão enferrujado e pouco afiado, decidiu cortar a cabeça da jovem atordoada. Bom, talvez ele fosse sim um demônio como diziam, mas não seria se não tivessem destruído sua vida. E o pior, aquilo havia sido um engano, queriam destruir outra família, endereço errado e deu no que deu.
               O fantasma chorou, quando viu o que tinha feito, havia perdido a cabeça, estava há seis anos sem sexo, desde que mataram sua Sophia, e ver alguém igual a ela o fez perder o controle. E saber de quem a garota era filha, deu ódio, ira, tinha que vingar as desgraças que fizeram em sua família. Atordoado ele saiu da casa, andou no chão de terra, levantando poeira. Quando subiu em seu cavalo, algo perfurou suas costas, uma dor lancinante o destruiu e o fez cair do cavalo. Ele caiu desajeitado no chão, de mal jeito, o que quebrou sua coluna, estava acabado, as dores eram insuportáveis, ele sangrava muito. Tinham dado um tiro certeiro no seu pulmão direito, ele colocava sangue pela boca, nariz e pelo ferimento nas costas.
               Agonizando, o fantasma viu seu algoz se aproximar, era o cara que tinha estuprado sua linda mulher. Ele colocou o revolver prateado, polido, na sua cara, ameaçou apertar, o cavaleiro sorriu, morrer seria melhor. Foi quando um dos capangas do algoz saiu de dentro da casa, trazia a triste noticia, da morte de sua filha. Olhando para o fantasma, o homem viu o ódio aflorar em si, o sorriso do maldito moribundo o dava vontade de puxar o gatilho. Mas pacientemente ele aguardou, não deu o tiro certeiro. Ele enxugou as lagrimas, entrou para ver o cadáver de sua filha. Voltou trazendo um banco de madeira, com assento arredondado, ele o fincou no chão de terra e se sentou. Ali ele ficou até amanhecer, vendo a morte lenta, dolorosa e terrível do seu algoz, que gemia, definhava, alucinava. pela manha viram que ele era apenas um homem, comum, que seu cavalo não tinha olhos vermelhos e nem que era do mal, era só um cavalo. O homem sentiu ligeira familiaridade pelo cavaleiro fantasma, mas não soube de onde vinha.

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