domingo, 20 de novembro de 2011

A rua de paralelepípedos.

Os saltos vermelhos batiam forte na rua de paralelepípedos. A mulher sentia dificuldade de correr, estava enfiada naquele vestido, também vermelho. O vento fazia o longo vestido ficar ainda mais incomodo. A loura corria desesperadamente, estava de noite, e ela viu algo que não deveria, se sobreviver a isso, com certeza contará para todos, mas e se morrer? Acabaria deixando outras pessoas serem vitimas "daquilo". Mas ela nem sequer pensava em outra pessoa, era só em si mesma.
      "Porra, ninguém na rua". Pensou a jovem, desejando desesperadamente encontrar alguém na rua, alguém para protegê-la, mas ninguém em canto algum.
       Desesperada, ela ignorava a compostura e abria a boca em gritos curtos, ofegantes e terrivelmente desesperados, mas parecia que estava numa cidade fantasma, ninguém aparecia no portão, nas janelas, em lugar algum existia vida. Foi nesse momento que começou uma leve chuva. Com o vestido molhado, colado e mais pesado, com certeza seria o fim da jovem loura, linda, maravilhosa, prostituta, no lugar errado, na hora errada.
       Quanto mais corria, mais sentia a coisa em seu pescoço, logo estaria beijando seu pescoço, agarrando-a, logo, logo. Pensar nisso, só fez a moça se apavorar mais, ela acabou distraída, terrivelmente angustiada de medo, a consequência disso foi obvia, ela tropeçou num vão entre paralelepípedos, por sorte não se machucou gravemente, mas feriu as mãos.
       Um breve olhar para trás, e cadê a coisa? Havia sumido, e do contrario, a chuva só mais e mais aparecia, já ventava e chovia muito, ela estava aumentado rápido e muito.
       Um rápido impulso, ela se pôs de pé, aproveitou para retirar os saltos. Olhou em volta, ninguém, só a chuva, eventualmente vultos, mas eram gatos cinza, pretos e brancos fugindo da chuva. Enquanto olhava as bonitas casas, com portões feitos de madeira, envernizados, muros feitos com pedras cortadas e encaixadas. As casas eram grandes, maioria de dois andares, eram bonitas, mas parecia incrivelmente solitárias, nenhuma tinha luz alguma acesa. Era como estar numa rua fantasma. A meretriz não entendeu a solidão, agora há pouco estava num programa, transava loucamente, claro, enganava o cara. Ela sorria, dizia ama-lo, se entregava. Isso há menos de uma hora, e a apenas duas quadras de onde estava. Nas ruas se via movimentação. Quando de repente ela viu a coisa, correu para uma rua, desde então só solidão, chuva, desespero, perseguição e agora, escuridão. As luzes dos postes começaram a enfraquecer. Um medo percorreu a espinha da jovem, um frio atingiu seu corpo, que tremeu também, e não era por causa da chuva ou vento, foi um frio interior, de medo. As luzes estavam ficando mais e mais fracas, logo iriam apagar, tudo levava a crer nisso. Então ela retomou seus passos acelerados e desesperados, agora com menos barulho, era a sola dos seus pés finos e suaves, contra as pedras duras e cheias de vãos. Por onde passava, a moça ia deixando um rastro de sangue, de seus pés cortados. Mas a adrenalina cuidava para que não sentisse dor.
        De repente, escuridão total, as luzes se apagaram. A lua não aparecia, claro, mas mesmo assim ela tentou procura-la. A chuva caia muito forte, o desespero tomou conta totalmente, o pânico cresceu até a loucura. A jovem continuava a correr, corria, corria, e corria. Gritava, gritava e gritava. Ela acabou soltando o salto, que carregava nas mãos. A rua parecia infinita. Para onde olhava só via escuridão, trevas, só isso. Por conta disso nem percebeu quando sua vida foi arrancada. Quando o sol voltou a brilhar, ela foi encontrada na rua de pedras. Usava ainda o vestido belo, mas não estava mais tão bela. Seus pés estavam bastante feridos, seu rosto inchado, com vários corte, e sem um dos olhos, só havia a escuridão da orbita ocular. Junto ela levou o segredo de sua morte, mas se sobrevivesse, não saberia quem a perseguiu. O seu perseguidor será um segredo que ela nunca contará, e que poderá arrancar mais vidas de jovens meretrizes ou não.

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